Este trabalho pretende analisar os processos, mecanismos e características do recrutamento durante o “nascimento” de Portugal inserido no processo da Reconquista.
D. Afonso Henriques herdou do seu pai, o cruzado D. Henrique, influências que o ajudaram no jogo político/estratégico que iniciou ao “arrancar” á mãe o condado pondo a termo à pretendida união galaico-portucalense. Na “primeira tarde lusitana” (Alexandre Herculano), quando o auto-intitulado “príncipe” (por ser neto de D. Afonso VI) vence as forças de Fernão Peres de Trava e é aclamado rei (batalha de São Mamede, 1128) vencem também os barões portucalenses, que o apoiaram afastando o possível domínio galego.[i] Em 1130, ao mudar-se para Coimbra, não só se afasta da influência dos nobres seus apoiantes (possíveis futuros opositores), como muda o centro político para a fronteira, aproximando-se do apoio do Clero (Mosteiro de Santa Clara)[ii] vinculando o espírito da Reconquista cristã do seu novo reino, reconhecido pelo papa Alexandre III, em 1179. Na cidade, que o seu pai dera foral em 1111, Afonso vai “recrutar” novos “nobres”/infanções (sem terras) juntando-lhes os cavaleiros-vilãos (rei como senhor feudal pelos forais concedidos aos concelhos) dos concelhos rurais do centro do país, os filhos dos nobres do Norte (modestos/sem herança), o apoio do Clero/Nobreza (pelas cartas de couto “importadas” pelo pai, de França[iii]) e as forças das ordens religiosas (Gesta de Afonso Henriques). Existindo discórdia sobre quem (mãe ou filho), em 1130, Soure é doada aos Templários (ainda não reconhecidos pelo papa[iv]) iniciando a mútua relação com as ordens militares (ex: Gualdim Pais, cavaleiro do rei, foi Mestre da Ordem; castelos templários)[v].
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