A história da expansão marítima portuguesa, celebrada como uma era de descobertas e intercâmbio cultural, apresenta-se complexa e multifacetada, especialmente no que diz respeito às motivações impulsionadoras da sua vertente evangelizadora que acompanhou este processo, desde o seu início, como seu estandarte principal. Neste contexto, este trabalho procura analisar o fenómeno da missionação portuguesa nas suas nuances históricas, políticas, económicas e culturais, além da sua fundamentação ética e prática.
O fenómeno missionário português nasce da complexa conjetura que evolve a Europa[i] no final do séc. XV, onde a Igreja se encontra em crise, entre uma guerra interna (Reforma E Contrarreforma) e a ameaça Otomana, que lança Portugal na gesta dos Descobrimentos.[ii] A necessidade de novas rotas comerciais e recursos foi uma força matriz significativa e, Portugal, ao estabelecer colónias/postos comerciais, procurou garantir o domínio de monopólios comerciais lucrativos ao mesmo tempo que expandia a sua influência geopolítica. Na refega europeia religiosa pelo bloco Romano e a missionação lusa adquire uma dimensão em que os novos bárbaros convertidos iriam compensar/repor as perdas dos fiéis hereges e soberbos europeus[iii] e a cruzada religiosa, historicamente associado à reconquista cristã e ligada ao reino desde a sua génese, foi reutilizado para legitimar a expansão ultramarina como rota oceânica de cruzada[iv] surgindo como unificadora, na vanguarda das outras motivações, mascarando-lhes os outros interesses político-económicos sob o véu da fé como afirma Thomaz no texto.
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