Imagina um grande espetáculo público, meio missa, meio tribunal, meio festival macabro. O auto-de-fé (do latim actum fidei, “ato de fé”) era a cerimónia em que a Inquisição mostrava ao povo quem tinha pecado contra a “verdadeira fé” — e como o poder religioso e político sabia punir.
Basicamente:
- Primeiro, o acusado era julgado em tribunal da Inquisição (normalmente meses ou anos preso, sob interrogatórios e tortura).
- Se fosse considerado culpado (o que acontecia na esmagadora maioria dos casos), era levado para a cerimónia pública.
- O auto-de-fé acontecia numa praça ou grande igreja, cheio de pompa e circunstância: missa, procissão, padres a discursar, nobres a assistir.
- O veredito era lido em voz alta: penitência, prisão ou, no pior dos casos, a morte na fogueira (executada pelo braço secular, para não “manchar” a Igreja diretamente com sangue).
Função social e política
Propaganda pura: uma aula-espetáculo de obediência para o povo.
Servia de aviso: “Não desafiem a fé nem o poder”.
Misturava religião, espetáculo e terror psicológico.
Resumindo
Um auto-de-fé era o equivalente a um reality show medieval, pois:
Tinha palco (a praça pública) apresentadores (os inquisidores), público (a multidão), e ainda um final ardente (literalmente)! Só que aqui, quem saía eliminado não ia para casa… ia para a fogueira.
O auto-de-fé foi uma das ferramentas mais brutais e simbólicas da Inquisição. Um ritual de poder que misturava religião, espetáculo público e medo coletivo para manter a ordem.

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